Estimativa de crescimento da economia brasileira é reduzida pela oitava vez seguida

Os resultados do começo de 2019 estão mostrando uma desaceleração nos indicadores econômicos e redução das expectativas do mercado financeiro para a economia brasileira. O IBC-R fechou com retração de -0,73% em fevereiro, ao comparar com janeiro, reforçando o viés de baixa para o PIB. Com o segundo mês consecutivo em queda, o resultado evidencia a dificuldade da economia em ganhar ritmo em meio às incertezas com o avanço da reforma da previdência.

No entanto, mantém-se a perspectiva da aprovação da reforma previdenciária, ainda que com atraso e modificações em alguns pontos na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em relação ao que se antevia na virada do ano, o que é visto com preocupação pelo mercado. 

Neste cenário, os analistas das instituições financeiras baixaram, pela oitava vez seguida, a estimativa para o crescimento da economia brasileira neste ano e mantiveram a previsão de que a inflação ficará ligeiramente acima da marca dos 4,00% em 2019. O início das revisões para baixo da expectativa de crescimento do PIB deste ano começou em fevereiro, após a divulgação do PIB de 2018 – quando a economia avançou apenas 1,1%. Segundo a pesquisa semanal Focus, divulgada pelo BC no último dia 22 de abril, a estimativa do PIB para 2019 caiu de 1,95% para 1,71%. 

Todos esses fatores caminham para um resultado da atividade econômica no primeiro trimestre aquém do esperado e já se ventila a possibilidade de crescimento negativo do PIB para o período.

Acrescente-se o fato de que, menos de um ano após a paralisação dos caminhoneiros, ocorrida em maio de 2018, o assunto volta à tona no Brasil.

No mês de abril o governo federal interviu na Petrobras com o cancelamento de um anúncio de reajuste de 5,74% no preço do diesel nas refinarias, após pressões da categoria. Além disso, foi lançado um pacote que inclui linha de crédito do BNDES para caminhoneiros autônomos, visando compra de pneus e manutenção, que totaliza R$ 500 milhões; ônibus, máquinas e equipamentos; libração de R$ 2 bilhões para investimentos em rodovias. 

Após reunião realizada no último dia 22 de abril, os caminhoneiros afastaram a possibilidade de greve que estava sendo ventilada para o dia 29, com a garantia de que o governo irá acionar o gatilho de reajuste da tabela do frete.

Os números mostram um descompasso entre a frota de caminhões (oferta) e o crescimento da economia (demanda), que nos últimos anos tem gerado a insatisfação dos caminhoneiros com a rentabilidade das suas atividades.